Instalações Artísticas
Por meio de instalações imersivas, Leca Araujo cria ambientes experienciais que convidam o público a se envolver física e emocionalmente com suas pesquisas.
Ao combinar som, materiais reciclados, objetos simbólicos e composição espacial, suas instalações exploram temas como identidade, memória, gênero e consciência coletiva, transformando o espaço expositivo em um lugar de diálogo, escuta e presença compartilhada.
One Pulse
Uma instalação imersiva que transforma batimentos cardíacos individuais em um campo compartilhado de percepção, revelando a empatia como experiência biológica e emocional coletiva.
Na instalação One Pulse, a artista Leca Araujo transforma o ritmo íntimo do coração em uma arquitetura sensível e coletiva.
Em diálogo com sua série CHOIX — na qual portas, janelas e limiares simbolizam as escolhas humanas — a obra convida cada visitante a atravessar passagens invisíveis dentro de si. Aqui, as pinturas tornam-se superfícies de espelhamento, onde o íntimo e o coletivo se refletem e se interligam.
Equipados com sensores táteis, os participantes não se limitam a observar: eles agem, percebem e sentem.
Seus batimentos cardíacos são captados em tempo real e traduzidos em rosáceas luminosas projetadas no teto.
Essas mandalas de luz e cor evocam as descobertas do neurocientista Giacomo Rizzolatti, cuja teoria dos neurônios-espelho revelou a profunda interconexão entre ação, percepção e emoção — a tríade neuronal que sustenta a empatia.
One Pulse dialoga com pesquisas contemporâneas sobre empatia, percepção e saúde mental.
Sua primeira apresentação encontrou ressonância com os valores da Meeting for Minds Organization, uma organização internacional dedicada ao estudo do cérebro e da saúde mental.
Ao colocar a empatia e a escuta no centro da investigação científica, a organização — assim como Araujo por meio de sua prática artística — aponta para um paradigma de conhecimento compartilhado, no qual a experiência humana torna-se uma fonte legítima de saber.
A trajetória de Leca Araujo inscreve-se nesse mesmo impulso: unir arte, pesquisa e consciência social em um único movimento, incorporando a sustentabilidade e o cuidado às dimensões poética e política de sua obra.
Assim, One Pulse ultrapassa o limite da instalação.
É um espaço de encontro, um campo vibratório comum, onde cada batimento é uma ação, cada percepção um reflexo, cada emoção uma ponte.
Juntas, essas pulsações formam um coro silencioso que nos recorda: somos, em essência, um só pulso.
O Grito
Uma exploração imersiva da angústia silenciosa e da tensão coletiva, na qual som, imagem e espaço articulam as dimensões não ditas do sofrimento emocional.
Apresentada na Bienal de Lyon (2019), O Grito é uma instalação imersiva dedicada às mulheres contemporâneas engajadas na luta pela igualdade de gênero.
Cada figura é representada por um capacete que abriga uma paisagem sonora interna e elementos simbólicos relacionados à sua trajetória individual e coletiva. Dispostas em configuração circular e acompanhadas por assentos feitos a partir de pneus reciclados, as esculturas evocam espaços de intimidade e troca — como salões de beleza femininos — ressignificando-os como arenas de escuta, resistência e voz compartilhada.
Na Pele Delas
Uma instalação que convida o visitante a habitar outro corpo, outra narrativa e outra posição social, ativando a empatia por meio do deslocamento e da imersão sensorial.






Na Pele Delas é uma instalação que antecede "O Grito" e integra a série As Marias. Composta por capacetes e pneus reciclados, a obra representa quatro mulheres brasileiras e aborda questões de invisibilidade, trabalho e identidade social.
Apresentada pela primeira vez em 2018 durante a Semana de Direitos Humanos no Palácio das Nações Unidas, em Genebra, a instalação convida o espectador a habitar a perspectiva dessas mulheres, propondo a empatia como uma experiência simultaneamente física e ética.
Em 2019, a obra foi adquirida e exibida pelo projeto Personal Structures, organizado pelo European Cultural Centre, no contexto da Bienal de Veneza.
Meu Nome é Maria das Dores
Uma instalação que entrelaça voz, imagem e materialidade para revelar como identidades individuais ressoam em narrativas coletivas de dor, resiliência e representação.
Meu Nome é Maria das Dores nasce do encontro entre nome, memória e identidade coletiva.
A partir da primeira obra da série As Marias, Leca Araujo desdobra uma investigação sensível sobre as camadas simbólicas que atravessam a experiência feminina no Brasil.
A instalação é composta por um vídeo e uma monotipia dupla, realizada a partir da mesma matriz:
— uma versão efêmera, impressa sobre plástico,
— e uma versão durável, transferida para o linho.
Esses dois corpos pictóricos materializam a tensão entre aquilo que se dissipa e aquilo que permanece — entre a fragilidade das narrativas individuais e a persistência histórica dos papéis atribuídos às mulheres.
O vídeo reúne depoimentos reais de mulheres chamadas Maria das Dores, coletados pela artista em diferentes regiões do Brasil. Suas vozes, carregadas de experiências singulares, formam um coro íntimo e coletivo que questiona estigmas, ressignifica o nome e devolve humanidade àquilo que foi historicamente reduzido a um rótulo social.
Ao articular imagem, palavra e matéria, Meu Nome é Maria das Dores propõe uma reflexão sobre dor, resistência e visibilidade, transformando o nome próprio em território político e poético.
Apresentada no Palais des Nations, em Genebra, em diálogo com a instalação Na Pele Delas, a obra afirma a potência da escuta como gesto artístico e da memória como forma de reparação simbólica.
Na Contramão
Uma instalação nascida da escuta, onde arte e educação convergem para devolver visibilidade, autoria e voz a narrativas historicamente mantidas à margem.
Na Contramão nasce do encontro entre arte, educação e escuta ativa.
Realizada a partir de oficinas conduzidas por Leca Araujo com crianças da Escola Municipal Djalma Maranhão, na favela do Vidigal, a instalação reúne desenhos, cartas manuscritas, releituras da série As Marias e um vídeo-documento apresentado ao público em um tablet, integrado a um mural de memórias visuais e afetivas.
Mais do que um registro pedagógico, a obra constrói um espaço de visibilidade para narrativas que raramente ocupam o centro das instituições culturais. As crianças são convidadas a reinterpretar as figuras femininas da série As Marias, projetando nelas suas próprias percepções, afetos e questionamentos sobre identidade, pertencimento e futuro.
As cartas e imagens expostas revelam um gesto essencial: o de devolver voz e autoria a sujeitos frequentemente atravessados por discursos externos. Aqui, a criação não é conduzida “sobre” as crianças, mas com elas — em um movimento que transforma o processo em obra e o gesto educativo em matéria artística.
Apresentada no Palais des Nations, em Genebra, Na Contramão desloca o olhar do espectador: ao invés de contemplar à distância, ele é convidado a ler, ouvir e reconhecer. A instalação propõe uma inversão simbólica — da margem para o centro, do silêncio para a palavra, da estatística para o rosto.
Assim, a obra inscreve-se no percurso de Leca Araujo como um desdobramento natural de sua pesquisa sobre empatia, representação e responsabilidade coletiva, afirmando a arte como território de escuta, construção e transformação.




















